Luciana de Melo
  Abstrair

“Nossa... você viu? Ela nem me falou bom dia...”

“Deu atenção para o outro, mas passou por mim batido.”

“Estava tudo bem, mas levei uma resposta atravessada... acabou com o meu dia.”

...

Tenho uma amiga que se dá bem com todo mundo. Alto astral! Parece que nada a derruba. Quando falamos “nossa, mas tal pessoa é...”, ela logo diz: abstrai!

E desde então tento abstrair. Não é fácil. Ficamos magoados ou incomodados com atitudes dos outros. Mas nunca sabemos o motivo dessas atitudes. A pessoa que provocou seu mal-estar sabe mesmo o que fez? Nem sempre.

Lembro que há muito tempo, estava passando por uma situação muito complicada com a doença do meu pai. Tinha vontade de chorar o tempo todo, mas não podia fazê-lo no trabalho, por motivos óbvios, e nem em casa, pra poupar minha mãe. Mas, claro, não era `toda sorrisos´. Certo dia, um apresentador da rádio em que trabalhava veio à porta da redação falar “bom dia” e respondemos. Mas ele, não satisfeito, disse: “nossa, que caras feias... não podem responder com um sorriso?”.

Não sei os outros, mas eu tinha meus motivos pra não sorrir. Essa pessoa, porém, estava mais preocupada em satisfazer sua própria gentileza, sem sequer pensar na possibilidade de não ser atendida.

Somos egoístas. Pensamos em nós mesmos em primeiro lugar. E nosso bem-estar está atrelado ao que o outro faz ou pensa em relação a nós.

Por isso o “abstrai” da minha amiga nunca me abandonou.

Se alguma atitude me deixa mal, tento pensar numa outra possibilidade. Pode ser que as atitudes das outras pessoas, ou nossas, sejam conscientes e que elas tenham intenção mesmo em agir daquela maneira. Ou não. Posso ter pisado na bola com alguém sem me dar conta.

Há pessoas que não mudam com o passar do tempo, que seguem carregando blocos de pedra por toda a vida. Eu escolhi tornar a minha mais leve. Há momentos em que as pedras me perseguem. Mas aí tento imaginar um desenho animado. E elas se desintegram como por mágica! Não tenho (e não devo ter) tempo a perder. Desconsidere o que não agrada. E seja feliz!

 



Escrito por Luciana de Melo às 15h00
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  O não ser apático

É possível se relacionar com alguém que nada tem a ver com você? Em tempos de redes sociais ativas, você sabe tudo (ou quase tudo) o que o outro pensa. Se você não sabe, é porque o “dito cujo” não está ativo nas redes sociais, e talvez por isso não mereça crédito (sim, porque o cara “engajado” está nas redes sociais). E aí você detecta que ele é esquerdista (nem precisa de muita coisa pra sacar) ou direitista (aquela defesa aqui e ali fez você desconfiar...). E, então, o que fazer??? Sempre curti aquele cara. O via aqui e ali... e sempre me agradou. Então, sem querer, vi um post dele curtido por amigos em comum. Um post que ia contra minhas convicções. Ele era interessante, mas...  deixou de ser. Não curto quem apoia esse tipo de coisa. Lembro que na era do “Orkut” (nossa, faz tanto tempo assim?), para entender quem era o cara, pesquisávamos os comentários dos amigos, os depoimentos... Dava pra ter uma ideia do que era mentira ou verdade. Hoje é mais difícil, nada é tão claro assim.  E voltamos à época em que não havia nada disso. Só sabíamos se ele era “letrado” quando mandava um cartão de fim de ano. Escreveu direitinho, com todas as conjugações corretas? Antes disso, já havíamos beijado, ficado... Não me lembro de, na adolescência, ter perguntado a tendência política dos meus “ficantes”. Aliás, quanto mais diferentes de mim, mais instigantes eram.  Hoje... Hoje nos distanciamos de pessoas antes próximas porque (aparentemente) mudaram de posição. As  “manifestações de junho” mostraram caras desconhecidas, dividiram o país. Sou deste lado ou do outro. Fizeram a gente acreditar que não há um meio termo. E tudo ficou muito chato. Não existe nada entre “o contra” e o “a favor”. Não existe mais “centro”. Ou sou esquerda ou direita. Não! Estou “aqui”! Nem lá nem cá. Não estou contente nem com a direita e muito menos com a esquerda. Aécio censurando a internet? Mas era o que se temia no governo Lula, algum tipo de censura... Voltando às relações, pessoais ou amorosas, é possível se relacionar com tolerância? Se ele é engajado na esquerda e eu tenho tendências à direita, é difícil. O contrário também. Não tem como conviver com lutas quando pensamos completamente diferente. A menos que você seja uma pessoa apática. Não é o meu caso. Não tenho estrutura pra viver em algo que não acredito. E olha que estamos em 2014! E se fosse nos anos 1960, 1970?

 



Escrito por Luciana de Melo às 18h51
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